
sexta-feira, 11 de junho de 2010
terça-feira, 18 de maio de 2010
Gravura, outra

Desde há cerca de 30 anos que venho desenvolvendo um processo de gravura que, na sua raiz tem relação com as primeiras marcas resultantes das pegadas deixadas na lama ou em terrenos argilosos que solidificaram por concreção (Peche-Merle, Altamira, etc.).
Promoveram-se workshops tendo como base esse processo que me libertou de muita da toxicidade que rodeia a gravura.
Num deles, em Arzila, Marrocos, os participantes - Artistas vindos de várias latitudes - incentivaram-me a publicar um manual com os detalhes do processo.
O pequeno livro foi impresso e aí está dado à estampa, com lançamento oficial marcado para Novembro na altura da exposição no Palácio Galveias em Lisboa.
Chama-se "Gravura, outra - manual de gravura com pasta de pedra".
Entretanto já por aí vai circulando, apoós uma apresentação informal que teve lugar na Galeria Arthobler - Livraria Ler Devagar também em Lisboa, aquando da minha exposição de gravura que ali decorreu em Março.
Fica a fotografia da capa.
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Uma promessa não cumprida
Prometi fazer a demonstração do calendário solar que é, conforme provei, a Pedra da Escrita de Serrazes.
Razões de ordem vária - burocráticas ou científicas por um lado, de saúde por outro - levaram-me a desistir, de momento, de voltar ao tema. Peço desculpas.
De novo deixo a Pedra entregue a um destino que não lhe devia estar destinado. Com mágoa.
Mas deixo-lhes hoje uma outra pedra, outra das muitas que são amadas. É um dos rochedos do Central Park, em Nova Iorque, desgastado e polido de tanto amor.
Razões de ordem vária - burocráticas ou científicas por um lado, de saúde por outro - levaram-me a desistir, de momento, de voltar ao tema. Peço desculpas.
De novo deixo a Pedra entregue a um destino que não lhe devia estar destinado. Com mágoa.
Mas deixo-lhes hoje uma outra pedra, outra das muitas que são amadas. É um dos rochedos do Central Park, em Nova Iorque, desgastado e polido de tanto amor.
domingo, 27 de setembro de 2009
Testemunho
Foi a partir do segundo semestre do ano de 1983 – após o Solstício referido no texto de abertura deste blogue - que fui testando o Calendário agora apagado pelo telheiro cuja fotografia também se mostra na mesma entrada.
No conjunto das fotografias que hoje se mostram, tomadas uma semana após o Equinócio entre as 8h35 e as 14h20 do dia 28 de Setembro de 1983 – estava ausente no dia da ocorrência – pode seguir-se o trajecto da sombra até ao momento em que se coloca entre o Círculo do Verão e o correspondente ao do Outono.
Quisera repetir a experiência no Equinócio do Outono convidando os media e alguns amigos, mas vozes avisadas preveniram-me da aproximação das eleições que absorvem os tempos de antena e não estariam disponíveis para este.
Para contornar a falta de luz provocada pela cobertura da Pedra, montar-se-ia uma estaca maior que a testada anteriormente que, ultrapassando as placas de amianto, projectaria a sua sombra no prolongamento dos respectivos círculos.
Ficará para o Solstício do Verão, prometo.
No conjunto das fotografias que hoje se mostram, tomadas uma semana após o Equinócio entre as 8h35 e as 14h20 do dia 28 de Setembro de 1983 – estava ausente no dia da ocorrência – pode seguir-se o trajecto da sombra até ao momento em que se coloca entre o Círculo do Verão e o correspondente ao do Outono.
Quisera repetir a experiência no Equinócio do Outono convidando os media e alguns amigos, mas vozes avisadas preveniram-me da aproximação das eleições que absorvem os tempos de antena e não estariam disponíveis para este.
Para contornar a falta de luz provocada pela cobertura da Pedra, montar-se-ia uma estaca maior que a testada anteriormente que, ultrapassando as placas de amianto, projectaria a sua sombra no prolongamento dos respectivos círculos.
Ficará para o Solstício do Verão, prometo.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Assilah 2009

E assim os olhos se me encheram de branco. Regresso aos sítios por onde me deixava perder em 1978.
Durante todos estes anos não me cansei de pensar – e de falar – num beco onde tudo era branco. Era pequeno, como também pequenas eram as casas onde tudo era caiado de branco. Também o chão o era.
Sentado na soleira de uma porta, com o sol já mais baixo que as muralhas, a ausência de sombra trazia-me uma indescritível paz, como que uma levitação. Por lá ficava até que os habitantes regressassem da oração da tarde.
E ali ao lado uma velha porta - que fora tapada, rebocada, caiada e que agora integrava um muro branco – e cuja memória se projectava em sombra rasante ao longo da luminosa superfície.
Da memória dessa porta já nada resta.
No meu trabalho ficaram outras marcas por aquelas deixadas. E que, entre outras, se estenderam até à Pedra da Escrita de Serrazes.
Não acredito que haja obras que existam por acaso.
Durante todos estes anos não me cansei de pensar – e de falar – num beco onde tudo era branco. Era pequeno, como também pequenas eram as casas onde tudo era caiado de branco. Também o chão o era.
Sentado na soleira de uma porta, com o sol já mais baixo que as muralhas, a ausência de sombra trazia-me uma indescritível paz, como que uma levitação. Por lá ficava até que os habitantes regressassem da oração da tarde.
E ali ao lado uma velha porta - que fora tapada, rebocada, caiada e que agora integrava um muro branco – e cuja memória se projectava em sombra rasante ao longo da luminosa superfície.
Da memória dessa porta já nada resta.
No meu trabalho ficaram outras marcas por aquelas deixadas. E que, entre outras, se estenderam até à Pedra da Escrita de Serrazes.
Não acredito que haja obras que existam por acaso.
Souk - gravura, 1978
domingo, 23 de agosto de 2009
Arzila
Agosto de 2009.
Arzila, 31 anos depois do primeiro Festival Cultural de tão gratas memórias.
Arzila foi sempre como que o centro de um certo mundo.
Ali coincidimos, por maior ou menor período de tempo e convívio, com Paolo Taviani, Alberto Moravia, Leopold Shenghor e outros mais em felizes e infindáveis noites de Ramadão em que se começava a cear às duas da madrugada, depois de um espectáculo ou da apresentação de um filme e da consequente discussão.
Alberto Moravia deitava-se cedo.
Arzila continua a ser o centro geométrico de encontros marcantes porque, em paralelo com o Festival existe uma vida sedimentada pelo tempo e pela fraternidade que nos leva ao reencontro do irmão preto – acho que de sangue – que é Mohammed Omar Khalil ou a novos – e sempre desejados - encontros como é o caso de Diego Moya, Artista Espanhol cuja obra mais recente ali mostrava, integrado na programação dos Encontros.
Apalpou as rugas da pedra e modelou rostos de velhos que, a avaliar pela idade, poderiam ter lutado pela libertação da terra agora defendida da fúria do mar pelas rochas exteriores à velha Muralha.
Generoso, colocou à minha disposição a memória do projecto a que chamou Gigabytes de Piedra e que, por ser também uma escrita da pedra, aqui me atrevo a citar parcialmente.
GIGABYTES DE PIEDRA
Diego Moya
Algo esencial para este trabajo: A través de ciertos aspectos elementales de la naturaleza estamos ante la presencia de los orígenes del universo. Lo que vemos en un cielo estrellado no es la luz del presente, sino de lo que pasó hace millones de años. Los estratos, la apariencia estructural de las rocas, nos hablan también de millones de años, a través de los cuales se fueron formando y manifestando.
Millones de “Gygabytes” de memoria están inscritos en esas sílices, acontecimientos prehistóricos, prehumanos, que se desvelan ante nuestros ojos.
PIEL DE LA TIERRA Y PIEL DE LAS GENTES.
El actual proyecto consiste en crear una relación entre la edad de la tierra y la edad de las gentes: la superficie de las rocas y la piel de personas mayores.
Piel de las gentes que, como “continente” de la vida, ofrece un contrapunto simbólico a las cortezas de la tierra. Poner en relación la piel de algunas personas mayores con las impresiones directas de las rocas: relación con el tiempo y la memoria.
Este proyecto se irá desarrolando en diferentes etapas con la obtención de calcos bi ó tridimensionales de algunos de sus relieves, que se extienden en toda su superficie durante cientos de metros cerca de la ciudad de Asilah. Una piel, una imagen de las huellas del tiempo y de los acontecimientos que las desencadenaron, una pregunta contínua sobre su origen.
Como queda dicho, el núcleo del proyecto se desarrolla en Asilah, Marruecos, donde se encuentran unas rocas de especial belleza y definición, y con las personas mayores de la ciudad, vecinos y conocidos desde hace años.
Aspecto de las rocas de referencia
Aspecto del políptico final
Para ver mais: http://www.diegomoya.org/obras/thumbnails.php?album=25
Arzila, 31 anos depois do primeiro Festival Cultural de tão gratas memórias.
Arzila foi sempre como que o centro de um certo mundo.
Ali coincidimos, por maior ou menor período de tempo e convívio, com Paolo Taviani, Alberto Moravia, Leopold Shenghor e outros mais em felizes e infindáveis noites de Ramadão em que se começava a cear às duas da madrugada, depois de um espectáculo ou da apresentação de um filme e da consequente discussão.
Alberto Moravia deitava-se cedo.
Arzila continua a ser o centro geométrico de encontros marcantes porque, em paralelo com o Festival existe uma vida sedimentada pelo tempo e pela fraternidade que nos leva ao reencontro do irmão preto – acho que de sangue – que é Mohammed Omar Khalil ou a novos – e sempre desejados - encontros como é o caso de Diego Moya, Artista Espanhol cuja obra mais recente ali mostrava, integrado na programação dos Encontros.
Apalpou as rugas da pedra e modelou rostos de velhos que, a avaliar pela idade, poderiam ter lutado pela libertação da terra agora defendida da fúria do mar pelas rochas exteriores à velha Muralha.
Generoso, colocou à minha disposição a memória do projecto a que chamou Gigabytes de Piedra e que, por ser também uma escrita da pedra, aqui me atrevo a citar parcialmente.
GIGABYTES DE PIEDRA
Diego Moya
Algo esencial para este trabajo: A través de ciertos aspectos elementales de la naturaleza estamos ante la presencia de los orígenes del universo. Lo que vemos en un cielo estrellado no es la luz del presente, sino de lo que pasó hace millones de años. Los estratos, la apariencia estructural de las rocas, nos hablan también de millones de años, a través de los cuales se fueron formando y manifestando.
Millones de “Gygabytes” de memoria están inscritos en esas sílices, acontecimientos prehistóricos, prehumanos, que se desvelan ante nuestros ojos.
PIEL DE LA TIERRA Y PIEL DE LAS GENTES.
El actual proyecto consiste en crear una relación entre la edad de la tierra y la edad de las gentes: la superficie de las rocas y la piel de personas mayores.
Piel de las gentes que, como “continente” de la vida, ofrece un contrapunto simbólico a las cortezas de la tierra. Poner en relación la piel de algunas personas mayores con las impresiones directas de las rocas: relación con el tiempo y la memoria.
Este proyecto se irá desarrolando en diferentes etapas con la obtención de calcos bi ó tridimensionales de algunos de sus relieves, que se extienden en toda su superficie durante cientos de metros cerca de la ciudad de Asilah. Una piel, una imagen de las huellas del tiempo y de los acontecimientos que las desencadenaron, una pregunta contínua sobre su origen.
Como queda dicho, el núcleo del proyecto se desarrolla en Asilah, Marruecos, donde se encuentran unas rocas de especial belleza y definición, y con las personas mayores de la ciudad, vecinos y conocidos desde hace años.
Para ver mais: http://www.diegomoya.org/obras/thumbnails.php?album=25
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